fonte: http://to-campos.planetaclix.pt/

Se se tocarem duas notas idênticas ao mesmo tempo é difícil distinguir o som que se ouve do som de apenas uma delas. Mas se a altura (frequência) de uma delas for ligeiramente diferente, ouve-se um batimento, ou seja, uma fluctuação distinta de volume que tem um som «ondulante». A ondulação será tanto mais rápida quanto maior for a discrepância entre as notas. Afina-se duas notas alterando uma delas, o que acelera ou retarda o batimento, até ele desaparecer.

As notas das cordas soltas da guitarra são: E4 B3 G3 D3 A2 E2 (o Dó médio no piano é o C4). O A4 de 440Hz é na 1ª corda no 5º trasto ou no harmónico da 5ª corda (4º harmónico de A2 – 110 HZ) no 5º trasto. Corresponde ao segundo espaço na clave de sol mas, como para a guitarra se usa a clave de sol oitavada, as notas são notadas uma oitava acima e este lá fica na 1ª linha extra superior.

O método de afinar sequencialmente cordas adjacentes, faz com que qualquer erro numa delas se propage para as seguintes. É melhor afinar relativamente a uma única corda. Por outro lado, há que ter em conta que os harmónicos no 7º trasto são 5ªs perfeitas – um pouco maiores do que as quintas do temperamento igual. O seu uso, sem o devido cuidado, deixa algumas cordas ligeiramente desafinadas. Deve preferir-se os harmónicos no 12º e 5º trasto (1 e 2 oitavas acima do som da corda solta) porque as oitavas são perfeitas no temperamento igual (e, aliás, em qualquer temperamento).

Afina-se a partir do harmónico Mi no 7º trasto da 5º corda (É o 3º harmónico – a quinta perfeita- do som da corda solta. Se ela estiver afinada, a corda solta é o A2, de 110Hz, e o Mi será o E4, de 330Hz).

Cada corda é afinada deixando soar este harmónico e ajustando a tensão da corda até se deixar de ouvir um batimento. Ajusta-se a 6ª corda premida no 12º trasto, a 4ª corda no 2º trasto, a 3ª corda no 9º trasto, a 2ª corda no 5º trasto e a 1ª corda solta.

Como é mais fácil ouvir os batimentos entre harmónicos, pode-se ajustar a 6ª corda usando o harmónico no 12º trasto, a 4ª corda pelo harmónico no 14º trasto (um harmónico artificial, com a corda premida no 2º trasto) e a 1ª corda pelo harmónico no 12º trasto.

Se os vários Mi das 5 cordas, ficarem a soar sem batimento com o harmónico da 5ª corda, os da 3ª, 2ª e 1ª corda ficarão afinados para um E4 de 330 Hz e os da 6ª e 4ªcorda para um E3 de 165Hz (330 Hz/2). O que acontece é que, de facto, no temperamento igual o E3 é 164,81 Hz e E4 é 329,63 Hz. Ou seja, há um erro de 1,954 cents – 1/12 do coma pitagórico.

Como resultado, as 5 cordas ficam afinadas entre si, mas todas elas 1/12 de coma pitagórico acima da afinação da 5ª corda. Um erro dessa ordem de grandeza é apenas liminarmente apercebido pelo nosso ouvido. Mas, para que a 5ª corda fique perfeitamente afinada, devemos então abaixá-la um pouco, afinando-a a partir das outras cordas.

Pode-se usar o harmónico no 14º trasto da 3ª corda (um Lá harmónico artificial, com a corda premida no 2º trasto) e afinar a 5ª corda com base nele, usando o harmónico no 12º trasto. Ou usar simplesmente a 3ª corda premida no 2º trasto.

Afina-se a 1ª corda solta pelo harmónico no 5º trasto da 6ª corda.
Toca-se o harmónico no 12º trasto na 6ª corda e ajusta-se a 4ª corda até que o mi no 2º trasto fique em uníssono perfeito.
Toca-se o harmónico no 12º trasto na 4ª corda e ajusta-se a 2ª corda até que o ré no 3º trasto fique em uníssono perfeito.
Toca-se o harmónico no 12º trasto na 4ª corda e ajusta-se a 3ª corda até que o ré no 7º trasto fique em uníssono perfeito.

Verificação da 3ª corda: Toca-se o harmónico no 12º trasto na 3ª corda e a 1ª corda soando o Sol no 3º trasto. Se não estão em uníssono, ou se enganou ou o instrumento tem mesmo problemas de afinação no 7º trasto. Repita do princípio. Se continuar com o mesmo problema, ajuste a 3ª corda até que o harmónico no 12º trasto fique em uníssono com a 1ª corda soando o sol no 3º trasto. Não mexa na 1ª e 4ª corda, porque é mesmo só a 3ª que quer afinar.

Finalmente, toca-se o Lá no 2º trasto da 3ª corda e ajusta-se a 5ª corda até que o harmónico no 12º trasto fique em uníssono perfeito. E não mexa mais! Como os trastos estão posicionados para intervalos temperados e só usamos oitavas obtem-se um temperamento igual correcto!

Depois de afinada a guitarra, não se deve fazer mais alterações, mesmo que alguns acordes soem menos perfeitos. Porque é mesmo assim que eles devem soar. A guitarra é um instrumento de altura fixa e deve ser afinada para intervalos temperados. Não se deve tentar afinar a guitarra de modo a dar acordes puros e perfeitos. Porque, afinando a guitarra perfeitamente para um acorde, ela acabará por soar mal para outros.

Quando se toca um acorde de Mi maior, o Sol# na 3ª corda parecerá um pouco alto demais. Mas deve mesmo ficar assim, 13,69 cents acima da altura a que soaria melhor. As 3ªs maiores são mais amplas no temperamento igual! As terceiras maiores têm mesmo que ser ligeiramente altas e as menores ligeiramente baixas. O Sol# deve mesmo ser de 207,65 Hz em vez dos 206 Hz!

É exactamente o mesmo que acontece quando se toca um acorde de Lá maior: o Dó# parece um pouco alto demais. Mas não o baixe! Deve ficar mesmo a 277,18 Hz em vez de 275 Hz! E no acorde de Dó maior o Mi na 1ª e 4ª corda também estão «altos demais»!

Um acorde de Sol maio r soa melhor se baixarmos um pouco a 2ª corda (o Si). Fica muito mais bonito. Mas, se tocarmos depois um Dó maior, a relação do Dó com o Mi vai ficar ainda pior do que antes!

É preciso também ter cuidado com o uso dos harmónicos no 7º trasto como referência para afinar. Correspondem a 5ªs perfeitas – um pouco maiores do que as do temperamento igual. Podem usar-se os harmónicos no 12º e 5º trasto (1 e 2 oitavas acima do som da corda solta) porque as oitavas são perfeitas no temperamento igual (e em qualquer temperamento).

  • Controlando o timbre da guitarra, através do conteúdo em harmónicos das notas, podemos dar mais cor à interpretação:
  • O som é mais metálico quando tocamos as cordas perto do cavalete, porque os harmónicos mais elevados soam mais intensos, e tanto mais doce e suave quanto mais nos afastarmos do cavalete.
  • Podemos tocar algumas notas que soam mais metálicas do que outras, controlando o ângulo de contacto entre o dedo e a corda. O som é mais metálico quando o dedo está perpendicular em relação à corda e mais suave quando tocamos a corda com o dedo mais inclinado, usando os bordos das unhas.
  • O conteúdo harmónico é diferente para diferentes posições do dedo, conforme tocamos mais com a unha ou com polpa do dedo ou conforme a pressão com que tocamos (maior se o dedo estiver mais esticado).
Veja também:  Afinações Diferentes  (por Diego Marinho – Cifra Club)

Comentários
  1. Guilherme Corrêa diz:

    Cara, teu blog sempre me ajuda. Mas essas dicas solucionaram minha vida haha… Me diz uma coisa, nesse primeiro método quando se diz toque o harmônica do 7º traste da 5 corda (lá) é pra ouvir se só ele tem vibração ou é combinado a outro harmonico?

  2. Guilherme Corrêa diz:

    Cara, teu blog sempre me ajuda. Mas essas dicas solucionaram minha vida haha… Me diz uma coisa, nesse primeiro método quando se diz toque o harmônico do 7º traste da 5 corda (lá) é pra ouvir se só ele tem vibração ou é combinado a outro harmônico? **

  3. Adm diz:

    Olá Guilherme. 1) – O harmônico do 7º traste na quinta corda (Lá) é para ser comparado com o harmônico do quinto traste na sexta corda (Mi) 2) – Deve-se comparar também com a primeira corda solta (Mi) 3) – e com o 12º traste da primeira corda (mi) Afina-se a nota Mi por aí. abraço.

    Em 24 de março de 2013 04:05, Blog do Mano

Escreva sua reposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s